lado c *
Era uma espécie de descontrole. Não entendia porque o fazia - mas fazia. A sensação era uma culpa por inteiro, como se estivesse traindo a si próprio.
A porta se abriu. Era ela que entrava.
"Como é bela." , pensou.
Deu as costas para o seu próprio crime e a olhou, com seu vestido verde, uma faixa vermelha transpassada pela cintura, "como embalagens de presente de Natal", novamente pensou. E mesmo assim, não conseguia perder o encanto.
Abriu a boca, como se para inciciar a explicação do que acontecia, mas viu o rosto dela rosado, aflito. As sobrancelhas estavam sofridas e derramando uma lágrima a cada olhar.
Então ele caiu sobre o chão de joelhos. O céu se abriu. Tudo o que havia em volta virou um cinza claro, quase ofuscante. Ele se encolheu contra o chão, levando as mãos ao rosto.
Não queria mais viver aquilo.
Foi então que acordou. Enroscado por lençóis brancos e o braço dela entrelaçando o seu corpo.
Era ele quem chorava agora. Molhado de suor.
E ela em um sono profundo.
*subconsciente ficcional, não-lembrança-não-vivida.

2 Comments:
gostei do adendo no final. mas todos sabemos que não se trata de uma página de diário seu, néam?
continua escreveeeendo, dreezuda. quem sabe um dia te acompanho de novo.
e tenho dito.
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