Saturday, July 15, 2006

lado c *

Era uma espécie de descontrole. Não entendia porque o fazia - mas fazia. A sensação era uma culpa por inteiro, como se estivesse traindo a si próprio.
A porta se abriu. Era ela que entrava.
"Como é bela." , pensou.
Deu as costas para o seu próprio crime e a olhou, com seu vestido verde, uma faixa vermelha transpassada pela cintura, "como embalagens de presente de Natal", novamente pensou. E mesmo assim, não conseguia perder o encanto.
Abriu a boca, como se para inciciar a explicação do que acontecia, mas viu o rosto dela rosado, aflito. As sobrancelhas estavam sofridas e derramando uma lágrima a cada olhar.
Então ele caiu sobre o chão de joelhos. O céu se abriu. Tudo o que havia em volta virou um cinza claro, quase ofuscante. Ele se encolheu contra o chão, levando as mãos ao rosto.
Não queria mais viver aquilo.
Foi então que acordou. Enroscado por lençóis brancos e o braço dela entrelaçando o seu corpo.
Era ele quem chorava agora. Molhado de suor.
E ela em um sono profundo.

*subconsciente ficcional, não-lembrança-não-vivida.

2 Comments:

At 8:46 PM , Blogger Taísa said...

gostei do adendo no final. mas todos sabemos que não se trata de uma página de diário seu, néam?
continua escreveeeendo, dreezuda. quem sabe um dia te acompanho de novo.

 
At 6:38 PM , Blogger ocaolho said...

e tenho dito.

 

Post a Comment

Subscribe to Post Comments [Atom]

<< Home