Saturday, September 09, 2006

Vocês já sentiram assim a vontade de gritar algo pro mundo meio que pra expandir o som e tentar com isso expandir o que se sente? Tipo como se o som fosse carregar tudo isso de bom que tem dentro de você e interceptasse todas as pessoas no caminho e meio que nesse instante a pessoa desse aquela parada assustada e de uma hora pra outra sentisse as coisas ruins desaparecendo?
Eu às vezes tenho essa vontade e essa esperança meio utópica. Mas ai cai a ficha e eu percebo que o amor é só nosso sabe – das duas pessoas. E que não adianta querer que todo mundo o sinta também pra ver como é maravilhoso, porque nem todo mundo tem essa sorte de sentir isso.
Eu sou muito generosa por desejar isso?! Eu acho que é injusto ter gente que passa pela vida e não experimenta algo do tipo. Eu acho injusto que existam pessoas que passem pela vida, não sabem que existe algo do tipo, e ainda acham que é uma mera lenda. Uma mera invenção burguesa...
Ultimamente eu tenho achado que é tipo um segredo, sabe. Um segredo pra ser dito bem baixinho em momentos especiais – e não pra ser gritado e dissipado em ondas sonoras.
É algo delicado. De difícil acesso. E que eu devo cultivar a cada dia com cuidado e carinho. E tendo consciência que é a realidade, que isso tudo existe sim e que eu vivo isso. E esquecendo que existem pessoas que não acreditam e que não o vivem. Porque na verdade, é só uma questão de estar disposto – mesmo que inconscientemente.

Sunday, September 03, 2006

vamos democratizar a mídia

Eu lembro que desde que a Globo exibiu "Hoje é dia de Maria" , eu percebi que o público não é imbecil e que é possível exibir algo de qualidade na TV brasileira e ainda assim conseguir sustentar os artistas para não passarem fome.

Só que sabe qual é o mal do brasileiro? Ele não se contenta com pouco. A gente vê claramente na Copa do Mundo, por exemplo, que mais me parece um simulacro de toda a nossa sociedade, de toda a nossa política - esse ano foi como um espelho do congresso nacional, mas não vêm ao caso e eu teria que esmiuçar esta viagem pra outro canto da conversa.

O que eu quero dizer, é que não adiantou o Brasil ser penta em 2002, todos os brasileiros quiseram ser hexa em 2006. Não adianta o dono da Globo ganhar bem e ter um pequeno luxo, ele vai querer ter um império, mesmo que isso custe analfabetizar as elites.

Hoje eu escutei este termo curioso em um documentário sobre a Gal Costa, que mais parecia um culto à tropicália e a todo aquele espírito modernista que se abatia sobre aquela baianada toda - ao qual eu admiro muito, diga-se de passagem. E fiquei espantada em ver todas as minhas reflexões reduzidas a um só termo: analfabetizar as elites. E ela já está ai, analfabeta, vendo novela, novela, novela. Jornal Nacional, Jornal Nacional: Tiro, tiro, tiro.

E a polícia está por aí, ganhando 10% do tráfico pra ele poder continuar funcionando. A elite está como o operário de Chaplin fazendo a mesma robótica e rotineira função de ver TV mastigada - apenas - um atrofiamento de humanidade. E alimentando a porcaria do tráfico e da polícia corrupta que faz esse caos urbano inabitável. E não adianta ser primeira página do jornal, porque não vai ter população no dia seguinte quebrando nada pra mudar isso.

Eu sou um ser revoltado com atrofiamento e com a fuga do senso crítico. Eu sou um ser revoltado com essa história de termos uma mídia de merda, onde não temos acesso a nenhuma provocação mental, a nenhuma coisa que faça tudo o que tem de humano e de inteligente em nós despertar.

Estamos virando selvagens no meio dessa selva urbana.
Estamos virando macacos alucinados.

E a reflexão é uma espécie em extinção.